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Petrobrás pode sofrer reestruturação

Proposta de Aldemir Bendine foi mal recebida por alguns conselheiros da estatal

Proposta de Aldemir Bendine foi mal recebida por alguns conselheiros da estatal

Proposta do presidente da estatal, Aldemir Bendine, é contratar uma consultoria para desenhar o que ele chama de ‘nova Petrobrás’

Na primeira vez que participou de uma reunião do conselho de administração da Petrobrás na posição de presidente, em 27 de fevereiro, Aldemir Bendine propôs a contratação de uma consultoria para desenhar o que, acredita ele, deve ser uma “nova Petrobrás”. A ideia de Bendine é promover uma grande reestruturação na empresa, contou Silvio Sinedino, conselheiro representante dos funcionários, que estava presente no encontro.

A palavra “reestruturação” foi mal recebida por alguns conselheiros, gerou polêmica e, diante da repercussão negativa, o tema foi substituído pela pauta seguinte, sem que Bendine explicasse o que, de fato, planeja mudar na companhia.

O principal opositor à discussão do tema foi o próprio conselheiro representante dos empregados, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), que, em abril, perderá o assento para o sindicalista Deyvid Bacelar. “Como alguém que chegou agora, que não conhece a estrutura da empresa e o seu funcionamento, já quer promover uma reestruturação?”, disse Sinedino.

Mudanças. Apesar do protesto, a diretoria recém-empossada conseguiu, já na primeira reunião do conselho, mudar o rumo da gestão financeira, ao permitir que a diretoria recorra ao mercado financeiro para contratar até US$ 19 bilhões de financiamento neste ano.

Até então, na gestão de Graça Foster, a ordem era evitar ao máximo recorrer a novos créditos e sobreviver exclusivamente com o dinheiro em caixa e com corte de investimentos. “Mas o novo diretor (Ivan Monteiro) tem outra visão, de que há risco em atuar com caixa muito baixo”, afirmou Sinedino, em conferência para expor aos funcionários as discussões levantadas na última reunião do conselho, no Youtube.

Outra mudança de rota, reclamou o conselheiro, foi o anúncio de venda de ativos antes mesmo que a decisão fosse aprovada pela cúpula da empresa. “Quem define o que vai ser vendido ou comprado é o conselho de administração. Mas, pelo que sabemos pela imprensa, compradores já estão sendo procurados”, afirmou.

A próxima reunião do conselho de administração da Petrobrás será realizada no dia 26 deste mês, quinta-feira da próxima semana. A pauta do encontro ainda não foi distribuída aos membros do conselho, mas a expectativa é de que o tema desinvestimento e a lista de ativos que serão vendidos seja apresentada para votação.

Procurada, a Petrobrás não se pronunciou sobre a intenção de Bendine de promover uma reestruturação na empresa até o fechamento desta edição.

(Fonte: O Estadão)

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